9 de fev de 2014

Você quer ser discípulo de Jesus?

Ao contrário do que vivem as igrejas o Evangelho nos mostra que a relação que alguém possa ter com Jesus é livre e consciente. Você precisa querer ser discípulo de Jesus, caso contrário, você nunca o será. Gosto de saber que Deus é soberano, mas não é tirano, que ele não estupra a consciência de ninguém ainda que tenha tudo sob o seu controle. A fé em Jesus pode ser explicada e podemos responder a todo aquele que nos pedir razão da esperança que temos em Cristo.

De muitas maneiras o Evangelho nos diz que ser discípulo de Jesus depende de uma intervenção direta de Deus em nossas vidas, pois se não for assim jamais acontecerá nada de Deus em nós, mas, no que diz respeito a mim, cabe uma decisão que implica em uma cisão ou muitas cisões ao longo da vida, uma tomada de posição em fé para que esse discipulado tenha sentido em meu viver. Sem essa iniciativa da minha parte nada se inicia em mim.

A decisão de ser discípulo significa amar menos a família e a si mesmo para amar primeiro a Jesus. O discípulo é capaz de “aborrecer o maior desejo por qualquer afeição natural” para ficar com Cristo. Isso pode ter desdobramentos diversos nessas relações, porque ao contrariar a família nessa decisão, o discípulo poderá ter inimigos na própria casa envolvendo pai, mãe, mulher, filhos, irmãos, e irmãs, e isso vai gerar uma mudança no estilo de vida dele. Por outro lado, sua família será abençoada através de sua nova vida em Cristo ao ponto da Bíblia dizer: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa”. É necessário ser discípulo de Jesus.

Quem pretende construir uma torre, primeiro se assenta para calcular a despesa e verificar se tem os meios para concluí-la. Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem zombem dele, dizendo: Este homem começou a construir e não pôde acabar. Seria vergonhoso para esse construtor o fato de não poder concluir sua obra por falta de uma decisão clara e consciente quanto aos custos necessários. Assim é a decisão de ser discípulo de Jesus. Você precisa saber o que está fazendo para não ocorrer de logo ser chamado de “eis” discípulo quando nem mesmo chegou a ser o que propõe o Evangelho para um discípulo de Jesus. Ninguém se torna discípulo de Jesus sem rendição total.

A decisão de ser discípulo de Jesus não pode ser como o rei que, indo para combater outro rei, não calcula primeiro se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil. Se ele fizer isso, terá que enviar uma embaixada pedindo condições de paz quando o inimigo ainda estiver longe. Ser discípulo não é tomar decisão precipitada atendendo apelos emotivos, não é mudar de indumentária, não é mudar de religião, não é uma tentativa para ver se as coisas vão melhorar caso eu apele para Deus, não é fazer barganhas com o Eterno.

“Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus”. A decisão de ser discípulo de Jesus é um caminho sem volta, é uma caminhada que só termina no céu, é renunciar a tudo quanto tem, é ter Jesus como seu bem maior. O discipulado de Jesus não permite conveniências humanas que priorize agendas, afetos naturais ou planos sonhados. O discípulo decide seguir Jesus para onde quer que ele vá sem questionar a vontade de Deus porque para o discípulo Deus tem razão em tudo sempre e Jesus é tudo o que ele mais quer na vida terrena e na vida eterna. Quem não se ajustar a essas questões básicas, não pode ser discípulo de Jesus. Você é discípulo ou não é, não há meio termo.

Jesus alertou seus discípulos sobre o fermento dos fariseus, dos saduceus e de Herodes. Ele falava da doutrina malévola e hipócrita dos fariseus, da religiosidade cética dos saduceus, e de Herodes, que é a vontade de poder, de controle, que influencia e penetra sorrateiramente nas vidas das pessoas afastando-as de Jesus. Se alguém quer ser discípulo de Jesus tem que romper com a religião que adotou. Nenhum religioso consegue ser discípulo de Jesus porque a religião não tem nada em comum com Jesus e todo religioso é orgulhoso da sua religião.

Quando Jesus disse: “aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo”, certamente ele estava incluindo as doutrinas dos homens que tomaram conta das igrejas, os dogmas doutrinários sistematizados, os ritos, os cerimoniais, as campanhas, os programas, as barganhas, regras e mais regras, e preceitos sobre preceitos. Portanto, os que estão na religião não podem agradar a Deus. Deixe a religião e seja discípulo de Jesus.

O discípulo não segue Jesus conforme o povo diz que ele é, mas segue o Jesus revelado nos Evangelhos. Como nos dias dos primeiros cristãos, assim também em nossos dias muitos estão passando para outro evangelho, o qual não é outro, senão que existem falsos pregadores pervertendo o evangelho de Cristo. Se alguém quer ser discípulo de Jesus não deve escutar o que o povo diz, mas seguir Jesus conforme o Evangelho; nada mais e nada menos que isso.

A decisão de abandonar a religião e não ouvir o que o povo diz de Jesus só faz sentido se a pessoa decidir receber a revelação de Deus de que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo, Senhor de tudo e de todos, Salvador de todos os que creem. Essa revelação deve ser a confissão do discípulo: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação. Porquanto a Escritura diz: Todo aquele que nele crê não será confundido. Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”. A confissão de fé no Cristo revelado possibilita que o discípulo pertença à Igreja de Cristo e tenha acesso às chaves do reino dos céus.

Mas, ter a informação do Cristo revelado e fazer a confissão dessa verdade ainda não torna ninguém discípulo de Jesus. Muitos param aqui depois de terem a informação e concordarem com ela. Deixar a religião e rejeitar o Jesus das crendices são aspectos importantes. Saber que o Jesus dos Evangelhos é o Cristo de Deus e confessar essa verdade é necessário. Mas se alguém fica nisso, o máximo que ele se torna é um ortodoxo oco, um surtado estudioso de teologia e um sabichão religioso. Não. Até aqui o possível discípulo ainda está no papel, ainda é projeto de discípulo, quando muito não passa de um boneco movido pela pilha da religião. Ser discípulo é mais que ter informações sobre Jesus e concordar com elas.

Jesus disse: "Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me". Ser discípulo de Jesus é uma decisão. Você precisa querer ser discípulo, senão não será nunca. A natureza do discipulado de Jesus não permite dúvidas no discípulo e Jesus faz questão que seja claro assim. Certa ocasião os discípulos acharam duro ouvir um discurso de Jesus e muitos o abandonaram e deixaram de andar com ele. Diante disso Jesus perguntou aos doze: "Porventura, quereis também vós outros retirar-vos? Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus". Quem decide ser discípulo de Jesus jamais decidirá não ser mais seu discípulo.

Antonio Francisco - Cuiabá, 9 de fevereiro de 2014 - Voltar para Como ser discípulo de Jesus.

0 comentários: