19 de fev de 2014

A esperança da glória de Deus

Muitos dizem: “Eu sou de Jesus”, mas não sabem o que estão falando porque não vivem de um modo digno do evangelho de Cristo. Geralmente os que fazem esse tipo de confissão pertencem a alguma igreja com suas doutrinas e regras. Mas, para ser de Jesus a pessoa deve nascer de novo, abandonar as crendices, conhecer a Jesus, ser disciplinada, querer ser seu discípulo, negar a si mesmo, tomar dia a dia a sua cruz e segui-lo. Veja a série: “Como ser discípulo de Jesus”.

Quando me converti há mais de 30 anos, a esperança da glória de Deus era um dos assuntos preferidos nas conversas dos crentes e tema frequente de muitas pregações. Falar do desejo e da certeza de ir para o céu depois desta vida era uma convicção comum entre os irmãos na fé. Mas esse tempo já passou e está cada vez mais distante de nós. Hoje o assunto dos crentes é céu na terra, é glória pra mim. Muitas igrejas querem viver o estilo do Antigo Testamento quando a bênção prometida era a prosperidade material e uma terra onde jorrava leite e mel. Muitos crentes não têm a esperança da glória de Deus e vivem com medo da morte.

Depois que Jesus mostrou como alguém pode ser seu discípulo (Mateus 16), ele termina o capítulo dizendo: “Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras. Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui se encontram, que de maneira nenhuma passarão pela morte até que vejam vir o Filho do Homem no seu reino”. Ninguém é capaz de assumir as implicações do discipulado sem a esperança da glória de Deus. Aliás, por que carregar a cruz se tudo acaba aqui mesmo? “Comamos e bebamos, que amanhã morreremos”. As raízes do discípulo estão na eternidade.

Depois de ser revelado como “o Cristo, o Filho do Deus vivo”, falar de sua morte, ressurreição, e mostrar o que significa ser seu discípulo, Jesus chama a atenção dos seus seguidores para a transcendência, como ele disse em outra ocasião falando dos sinais da sua vinda: “Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça; porque a vossa redenção se aproxima”, e será com retribuições individuais. Que retribuições são essas na vinda gloriosa do Senhor? Acredito que entre outras possibilidades, será a alegria revelada exponencialmente de se ter negado ao “si mesmo” para ser “eu mesmo” em Cristo Jesus.

“Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro e aos irmãos Tiago e João e os levou, em particular, a um alto monte. E foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. Então, disse Pedro a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, farei aqui três tendas; uma será tua, outra para Moisés, outra para Elias. Falava ele ainda, quando uma nuvem luminosa os envolveu; e eis, vindo da nuvem, uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi. Ouvindo-a os discípulos, caíram de bruços, tomados de grande medo. Aproximando-se deles, tocou-lhes Jesus, dizendo: Erguei-vos e não temais! Então, eles, levantando os olhos, a ninguém viram, senão Jesus”.

Cerca de uma semana depois daquela conversa centrada em Jesus, na cruz, e na ressurreição, Jesus toma consigo três dos seus discípulos e os leva em particular, para um alto monte que provavelmente era o majestoso monte Hermom, localizado no extremo Norte de Israel, perto da cidade de Cesareia de Filipe. Esse monte tinha três mil metros de altitude e foi ali que Jesus se transfigurou diante de seus discípulos Pedro, Tiago e João. Por que ele levou apenas três dos doze apóstolos eu não sei, mas posso imaginar que os três estavam mais preparados para ver o que viram ou eram os menos preparados e por isso precisavam ter aquela experiência. Nem todos veem tudo de Deus ou nem todos veem tudo de Deus ao mesmo tempo.

Na sua segunda carta, Pedro chamou o local da transfiguração de Jesus de monte santo. Ali, ele e seus amigos Tiago e João tiveram um vislumbre da Glória Excelsa no rosto resplandecente de Jesus, em suas vestes brancas como a luz, na nuvem luminosa que os envolveu, e na voz que saia da nuvem dizendo: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi”. Os discípulos caíram de bruços tomados de grande medo, mas Jesus lhes disse que não temessem. A glória que nos aguarda e que será o ambiente de nossa eterna felicidade já pode ser experimentada aqui e agora na caminhada desta vida. Jesus habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.

“Cristo em vós, a esperança da glória”. Não iremos para a eternidade, ela já habita em nós. “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida”. Jesus disse também: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto?” A experiência da transfiguração de Jesus também precisa ser nossa. “E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito”. A glória de Deus resplandece em nosso coração na face de Cristo. Essa verdade é pessoal, não é transferível e acontece pela fé, de graça.

“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado”.

Depois que desistimos da religião, da justiça própria, do si mesmo carregado de falsidades, e nos contentamos com a justiça de Jesus em nosso favor, é que encontramos paz com Deus. A fé em Jesus nos faz viver firmes na graça e nos enche de esperança da glória de Deus. Mas isso não faz de nossa existência aqui um mar de rosas, nem devemos esperar um tratamento vip de ninguém. Todos nós sentimos dores, todos nós sofremos, todos nós adoecemos, e todos nós morreremos. Quem se gloria na esperança da glória de Deus também deve se gloriar nas próprias tribulações, porque elas nos fazem perseverantes e experientes enquanto esperamos entrar definitivamente na glória de Deus. Essa esperança é própria daqueles que já foram convencidos pelo Espírito Santo que são total e incondicionalmente amados por Deus.

"Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens”. Mas, quem tem a esperança da glória de Deus, a si mesmo se purifica, assim como ele é puro. Portanto: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo”.

Antonio Francisco – Cuiabá, 19 de fevereiro de 2014 – Voltar para Como ser discípulo de Jesus.

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