4 de nov de 2013

Acolhimento e Influência

Jesus disse que todo escriba versado no reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira do seu depósito coisas novas e coisas velhas. Instruído e experiente o mestre tem novidades, mas não deixa de lado as coisas velhas valiosas mantidas devido a importância que têm. Assim é o pai de família que oferece alimento fresco para sua casa sem deixar de manter o alimento maduro e nutritivo para seus amados. Desse modo me sinto com relação ao Evangelho.

Recebo as palavras de Paulo a Timóteo como dirigidas a mim: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”. Tenho permanecido no que aprendi da Bíblia desde a minha juventude, certo de que as Escrituras educam nos caminhos de Deus. Por isso mantenho em meu depósito de fé coisas velhas permanentes, mas apresso-me em dizer que tenho também coisas novas procedentes do Evangelho que tanto me fazem bem.

Interessante é perceber que as coisas novas são as coisas velhas sempre novas. Porém, a boa experiência é ter me livrado dos penduricalhos eclesiásticos, sutis e nocivos para quem quer andar na simplicidade e pureza do Evangelho, coisas como, estatutos, regimentos internos, diretorias, ministérios, visões, alvos, estratégias, metodologias, campanhas, programas, assembleias, atas, eleições, denominação, conselhos eclesiásticos, marchas para Jesus, congressos, concílios, simpósios, retiros. Sinto repugnância só em pensar nos anos que gastei com esses pesos que em nada contribuem para acolher e influenciar pessoas para Deus.

O autor da carta aos Hebreus diz que devemos nos desembaraçar de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, e corrermos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus. Nem tudo que atrapalha a corrida cristã é pecado, mas é peso que devemos deixar para trás; e foi o que fiz, tenho feito, e quero fazer sempre, para correr livre para Jesus. Posso dizer com alegria que meu jugo é o Evangelho.

“Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e plantou no seu campo; o qual é, na verdade, a menor de todas as sementes, e, crescida, é maior do que as hortaliças, e se faz árvore, de modo que as aves do céu vêm aninhar-se nos seus ramos. Disse-lhes outra parábola: O reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado. Todas estas coisas disse Jesus às multidões por parábolas e sem parábolas nada lhes dizia; para que se cumprisse o que foi dito por intermédio do profeta: Abrirei em parábolas a minha boca; publicarei coisas ocultas desde a criação [do mundo].” (Mt 13.31-35).

Como disse Leonardo Boff: “O Reino de Deus significa a totalidade de sentido do mundo em Deus”. O reino de Deus é onde Deus reina, e ele reina em tudo, em todos, e em todos os lugares. A Igreja não é o reino de Deus, mas ela está dentro do reino de Deus. Jesus disse que o reino de Deus está dentro de nós. Então, percebemos que a expressão reino de Deus tem várias dimensões, mas sempre implicando na presença viva de Deus sobre suas criaturas. Reino de Deus não é uma estrutura eclesiástica, ritos, cerimoniais, ou, como disse o apóstolo Paulo: “o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo”. A mensagem é a mesma: "O reino de Deus está próximo", acessível a todos.

O reino de Deus muitas vezes se manifesta pequeno, assim como começou a Igreja na Terra, simples como uma semente, mas vivo, porque Jesus é a vida; ele cresce e se torna uma árvore que acolhe e aninha as aves do céu. Você pode imaginar uma imagem melhor para uma igreja? Uma igreja que é viva como uma semente que cresce e se transforma numa árvore frondosa que dá sombra a todos. A parábola diz que as aves vêm porque elas são atraídas pelo aconchego da árvore. Jesus quer que sua igreja seja assim, acolhedora, e um lugar de reprodução de vida. Isso se aplica também aos nossos lares que devem ser cheios de vida e um lugar de refúgio para pessoas que nele entrem. Era assim no começo da Igreja - eles amavam a Deus e se amavam, e isso atraía cada dia as pessoas para Deus.

Jesus também comparou o reino de Deus com o fermento que misturado na farinha leveda toda a massa. Outra linda ilustração para a igreja que deve influenciar toda a massa humana com a vida de Jesus e com os valores do Evangelho. Assim como o fermento faz a diferença na farinha sem nenhum barulho e até imperceptivelmente, nós também devemos influenciar para o bem aqueles com quem convivemos. Assim funcionam o sal e a luz em outra comparação de Jesus.

Infelizmente as igrejas têm perdido essa qualidade de acolher e de influenciar para o bem através de vidas regeneradas pelo Espírito Santo. As doutrinas humanas, a sistematização da fé, e a institucionalização das igrejas têm impedido as pessoas de conhecerem a luz do Evangelho. Nelas se cumpre a palavra de Jesus aos religiosos daqueles dias: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois vós não entrais, nem deixais entrar os que estão entrando!”.

Os condicionamentos eclesiásticos só atrapalham. Até parece que o apóstolo Paulo escreveu hoje estas palavras: “Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo. Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado, sem motivo algum, na sua mente carnal, e não retendo a cabeça, da qual todo o corpo, suprido e bem vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus. Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem. Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade.” (Cl 2.16-23).

O legalismo, as crendices, e a ausência do Evangelho encarnado em pessoas que vivem com Deus, é o grande drama das igrejas evangélicas. Você conhece alguma igreja que pareça uma árvore frondosa que acolhe as aves (pessoas) em seus ramos para que essas se aninhem e se reproduzam? Você conhece alguma igreja cuja expressão não seja a propaganda religiosa, mas a qualidade de vida cheia de Jesus que influencia como o fermento santo do Senhor? Responda se puder.

Antonio Francisco – Cuiabá, 4 de novembro de 2013 – Voltar para Um novo caminho.

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