18 de jul de 2013

Seguir Jesus. O que é isso?

Jesus “dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me”. O que é isso? Seguir Jesus é uma questão de vontade? Negar-se é o mesmo que deixar de ter vontade própria? Tomar a cruz é sofrer com as dificuldades da vida? Seguir Jesus é ser membro de uma “igreja evangélica”? Estas são perguntas pouco esclarecidas e pouco compreendidas, mas muito usadas para confundir a credulidade de muitas pessoas que desconhecem o Evangelho.

“Partindo Jesus dali, viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu. E sucedeu que, estando ele em casa, à mesa, muitos publicanos e pecadores vieram e tomaram lugares com Jesus e seus discípulos. Ora, vendo isto, os fariseus perguntavam aos discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores? Mas Jesus, ouvindo, disse: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes. Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos; pois não vim chamar justos, e sim pecadores [ao arrependimento]”. (Mateus 9.9-13).

Jesus estava em Cafarnaum, cidade que escolheu como residência ao iniciar seu ministério público. Saindo de casa, viu Mateus em seu trabalho de publicano (cobrador de impostos) e disse-lhe: “Segue-me! Ele se levantou e o seguiu”. O evangelista Lucas diz que ele “deixando tudo, o seguiu”. Jesus nos encontra e fala conosco exatamente onde estamos. Segui-lo implica numa decisão onde tudo se relativiza diante dele, o que resulta em trocar todos os nossos valores pela pessoa de Jesus. Quando seguimos Jesus, tudo é tratado a partir dele, de sua vontade e de seus interesses em relação a tudo em nós.

Saindo dali, Jesus foi para a casa de Mateus participar de uma concorrida refeição com os seus discípulos, muitos publicanos e pecadores, que como diz Marcos, também o seguiam. É interessante observar que Jesus era seguido por pecadores, ou seja, pessoas de má fama para aquela sociedade. Isso contrasta com o sentido de seguir Jesus hoje conforme a concepção das “igrejas” que exigem um comportamento moralista de seus membros. A pessoa para pertencer a uma “igreja evangélica” hoje em dia deve ser bem engomadinha, religiosamente correta, de boa índole, com bom testemunho, que não dê motivos para comentários negativos contra a “igreja”, mesmo que em muitos casos sejam apenas fachadas. Mas, Jesus era seguido por pessoas que as “igrejas” não receberiam entre os seus “fiéis”, o que mostra que seguir Jesus não é ser religioso nem se enquadrar no sistema de uma “igreja”.

No ambiente daquela refeição havia religiosos que murmuravam contra os discípulos pelo fato de Jesus comer e beber com pecadores. Jesus foi chamado de "amigo de publicanos e pecadores". Os fariseus (os crentes daqueles dias) não entendiam o amor de Deus por nós, assim como agora onde em nome de uma santidade oca os religiosos dizem que não devemos nos misturar com pessoas que não são de Deus como se eles soubessem quem é de Deus. As “igrejas” não compreendem a graça de Deus na vida dos pecadores. É por isso que a barganha e o desempenho predominam nesse meio escravizante de interesses e “boas obras”.

Ao ouvir a murmuração dos religiosos inquirindo os discípulos, Jesus disse: “Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; pois não vim chamar justos, e sim pecadores [ao arrependimento]”. Jesus veio ao mundo para doentes como você e eu; ele veio buscar e salvar o perdido. Os religiosos só entendiam de liturgias, rituais, e cerimoniais, enquanto Jesus diz: “Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos”. Aqueles homens críticos, frios, e calculistas não sabiam nada de misericórdia, mesmo que soubessem sacrificar animais nos altares em nome da religião. Jesus quer nos ver mostrando amor, bondade por todos em todos os lugares; ele quer que acordemos para a vida e saiamos do sistema ilusório dos ritos, das doutrinas que matam, do legalismo que atormenta, e vivamos para Deus. Seguir Jesus é viver como Jesus viveu e andar por onde ele andou. Leia os evangelhos e veja como Jesus tratava as pessoas e quais os lugares que ele frequentava e você saberá o que significa segui-lo. Você verá o disparate entre Jesus e as "igrejas" hoje.

Seguir Jesus é uma questão de vontade? Sim. Ele disse: “Se alguém quer...”, o que justifica dizer que ninguém segue Jesus contrariado. É uma relação de fé e amor que torna a vida cristã leve e cheia de valores permanentes. Jesus disse: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra”. Você não pode seguir Jesus em troca do céu ou para fugir do inferno. Isso seria barganha e não há lugar para isso quando alguém conhece e segue Jesus. Ele não força os corações, não faz apelos sensacionalistas, não obriga ninguém a andar com ele, não faz uso de argumentos filosóficos e sutilezas. Jesus nos deu opções quando falou de duas portas e dois caminhos, sem deixar de mostrar as implicações de nossa escolha. Seguir Jesus é algo consciente porque envolve uma de-cisão com rupturas emocionais, psicológicas, familiares, sociais e até econômicas muitas vezes. Seguir Jesus é um caminho sem retorno.

Negar-se é o mesmo que deixar de ter vontade própria? Não. Jesus é soberano, mas não é tirano, ele não violenta os corações, não manipula vontades; ele nos torna livres, inclusive de vontades dominadoras alimentadas pela nossa natureza pecaminosa. Negar a si mesmo não é anular-se, não é autonegação, não é ascetismo, não é suicídio intelectual. O aniquilamento da vontade é um ensino budista e não condiz com o Evangelho de Jesus. Negar a si mesmo não é incompatível com a felicidade, mas é livrar-me da crosta falsa que me faz ser como Deus não quer que eu seja para que eu possa ser como ele me fez para ser.

Tomar a cruz é sofrer com as dificuldades da vida? Não. Todos sofrem, sem Jesus e com Jesus. Tomar a cruz é ser crucificado com Cristo pela fé vivendo permanentemente na graça de Deus; tomar a cruz e seguir Jesus é ser espetáculo ao mundo, lixo do mundo, e escória de todos; tomar a cruz é sofrer por Deus e por outros que sofrem ao meu lado; tomar a cruz é jungir minha vontade a Jesus dia a dia sem distração nem intervalos; tomar a cruz é fazer morrer minha natureza terrena para sobrar o eu, em Deus.

Seguir Jesus é ser membro de uma “igreja evangélica”? Não. A própria palavra seguir fala de um viver dinâmico e não de um modo de ser estereotipado conforme as regulamentações de um sistema como acontece na “igreja evangélica”. Naqueles dias seguir Jesus era andar junto, comer com ele, beber a mesma água, dormir no mesmo lugar e passar o dia juntos. Era algo geográfico, palpável e histórico. Agora, é diferente. Jesus vive em nós pelo Espírito Santo e segui-lo tomou uma dimensão comportamental e motivacional, onde aprendemos como ele reage dentro da condição humana conforme encontramos nos evangelhos. Isso independe de igreja organizada, de templo, de doutrinas padronizadas. Jesus disse: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles”. Isso acontece na caminhada da vida onde quer que estejam seus seguidores, com quem estejam e com o número de pessoas que tiverem juntas. Assim, seguir Jesus é ter uma vida abundante.

Antonio Francisco – Cuiabá, 18 de julho de 2013 – Voltar para Perguntas e Respostas.

1 comentários:

As suas palavras são muito sábias.