22 de jan de 2013

As bem-aventuranças

As bem-aventuranças são palavras simples que carregam idéias profundas no início do Sermão do Monte (Mateus 5, 6, 7). Quanto mais exploramos essa passagem bíblica mais temos para explorar, porque ela é inesgotável. As bem-aventuranças falam da caminhada cristã e do caráter cristão. “Bem-aventurados”, do grego makarios, significa felicidade como resultado da obediência aos ensinos de Jesus. Elas também falam da marcha dos discípulos. Felicidade e santidade são íntimas.

5.1 Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte, e, como se assentasse, aproximaram-se os seus discípulos; 5.2 e ele passou a ensiná-los, dizendo: 5.3 Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. 5.4 Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. 5.5 Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra. 5.6 Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. 5.7 Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 5.8 Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus. 5.9 Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. 5.10 Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. 5.11 Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. 5.12 Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós. (Mateus 5.1-12).

Os humildes de espírito (v. 3). Ser humildade de espírito é depender de Deus como as crianças, porque das tais é o reino dos céus; é se desvencilhar de todo orgulho por saber que o reino de Deus que está dentro de nós é por pura graça e não por mérito próprio; é reconhecer nossa falência espiritual diante de Deus e sua ira justa sobre nossos pecados, o que nos leva a depender do seu amor redentor em Jesus que veio buscar e salvar o perdido, curar os quebrantados de coração, e libertar os cativos. Os humildes descansam em Jesus.

Os que choram (v. 4). Os que choram são bem-aventurados porque não engolem o choro do arrependimento, da esperança viva e do amor que tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Esses são consolados por Jesus que veio para consolar todos os que choram, e ao voltar ao céu mandou outro consolador – o Espírito Santo para ficar para sempre conosco. Os que choram e são consolados por Deus também aprendem a consolar outros que choram.

Os mansos (v. 5). Os mansos são maleáveis nas mãos de Deus e ajustáveis às circunstância da vida. Ser manso é ser controlado, gentil, atencioso, alguém que exerce autocontrole. A humildade perante Deus e o arrependimento de nossos pecados nos tornam mansos diante dos outros. Uma estimativa correta de si mesmo nos desarma diante de todas as pessoas. Os mansos herdarão a terra porque não sendo donos de nada são herdeiros de tudo. Os mansos não precisam provar nada para ninguém, eles simplesmente são o que são.

Os que têm fome e sede de justiça (v. 6). Os que têm fome e sede de justiça têm certeza de sua fartura porque creem no Deus justo. Jesus é a nossa justiça diante de Deus e diante dos homens, o que nos faz querer viver com justiça diante de Deus e dos homens. Quem fica nu diante de Deus e diante dos homens, sempre busca a justiça para todos. Quando buscamos em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, todas as outras coisas nos serão acrescentadas. Um dia seremos plenamente satisfeitos de justiça pelo Deus Justo.

Os misericordiosos (v. 7). Os misericordiosos alcançarão misericórdia. Eles têm compaixão dos que sofrem. Quem conhece a misericórdia de Deus jamais se nega a mostrar misericórdia por quem quer que precise de misericórdia. Os misericordiosos acolhem os que sofrem na caminhada da vida. Vivendo em uma sociedade tão decadente como a nossa, jamais faltará pessoas que precisem da manifestação de nossa misericórdia, assim como precisamos da misericórdia de outros. A promessa de Jesus é que os misericordiosos alcançarão misericórdia.

Os limpos de coração (v. 8). Antes de tudo "limpos de coração" nos mostra que a vida com Deus acontece dentro da gente e não fora como acontecia e acontece com os religiosos. O sangue de Jesus nos purifica de todo pecado. Somente assim podemos ter a mente de Cristo e podemos ver Deus com um coração limpo, sem maldade e que pensa com amor. A pureza de coração se expressa na transparência de nossos atos e relacionamentos diante de Deus e dos homens, sem a qual ninguém verá o Senhor aqui e muito menos na eternidade.

Os pacificadores (v. 9). Ser limpo de coração é essencial para ser um pacificador, pois não promove a paz quem não tem paz no coração. Os filhos de Deus vivem em paz, buscam a paz e se empenham em alcançá-la; seguem a paz com todos e, até onde depender deles, têm paz com todos os homens. “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”. A paz com Deus nos leva a paz com os homens. É por isso que os pacificadores são chamados filhos de Deus. Sendo o pacificador aquele que reconcilia pessoas inimigas, implica sofrer muitas vezes para ver a paz entre os homens. Deus nos ajude a ser elo entre as pessoas e Deus, porque Deus chama as pessoas por nosso intermédio.

Os perseguidos por causa da justiça (vs. 10-12). Parece estranho que os pacificadores sejam perseguidos, mas é exatamente o que acontece, porque nem todos são pela paz, pelo contrário, muitos são pela guerra. A Bíblia fala que nos últimos dias os homens seriam implacáveis, irreconciliáveis. Mais difícil ainda é perceber que a causa de tal perseguição seja a justiça da qual temos fome e sede e o próprio Jesus a quem seguimos. Como reagir diante da perseguição? Regozijando-se e exultando, porque é grande o nosso galardão nos céus. Jesus disse que a perseguição é um sinal da genuinidade cristã, pois assim perseguiram aos profetas antes de nós. Não devemos querer, mas como cristãos devemos esperar perseguição.



Antonio Francisco - Cuiabá, 22 de janeiro de 2013 – Voltar para A vida extraordinária.

0 comentários: