17 de ago de 2012

Assim caminha a humanidade

O filósofo e escritor suíço, Jean-Jacques Rousseau, ensinou que o homem nasce bom e a sociedade o perverte. Ele dizia: “é bom tudo o que sai das mãos do criador da Natureza e tudo degenera nas mãos do homem”. Isso parece coerente e correto, mas, será esse o ensino do Evangelho? O homem de fato nasce bom e se corrompe na convivência de seus semelhantes? O homem é um ser natural, ou também espiritual? Ele é apenas psíquico ou também pneumático? Vamos considerar.

De fato, “Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias”. O primeiro ser humano gerado do casal que Deus criou já nasceu corrompido e inclinado para o mal. Desde Adão e Eva os humanos foram degenerados e se alienaram de Deus, vivendo com conflitos pessoais e também com seus semelhantes. A morte é uma consequência da rebeldia do homem ao seu Criador. Isso é tão grave que já nascemos mortos espiritualmente, morreremos fisicamente, e estamos sujeitos à morte eterna, ou seja, eterna separação de Deus. Essa condição de alienação espiritual deixou o homem incapaz de se relacionar com Deus, não conseguindo desde então entender as coisas de Deus.

Ao visitar a igreja na cidade grega de Corinto para anunciar o testemunho de Deus, ou seja, o Evangelho, Paulo disse que não ostentou linguagem nem exibiu sabedoria. Ele decidi nada saber entre eles, senão a Jesus Cristo e este crucificado. E foi em fraqueza, temor e grande tremor que ele estive entre aquelas pessoas. A palavra e a pregação dele não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a fé daquela igreja não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus.

Mas, mesmo não aprofundando o conteúdo de sua mensagem em Corinto, Paulo expunha sabedoria entre os experimentados; não, porém, a sabedoria deste mundo, nem a dos poderosos desta época, que se reduzem a nada; mas falava a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória; sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste mundo conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado Jesus o Senhor da glória; mas, como está escrito: "Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam". Essa sabedoria outrora oculta nos tem sido revelada pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus. Porque assim como o homem sabe as coisas do homem; assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus. Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente. Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais.

Aqui, é importante considerar que existem três tipos de pessoas. Cada um de nós é identificado por um desses tipos: "O homem natural, o homem espiritual, e o homem carnal. Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Porém o homem espiritual julga todas as coisas, mas ele mesmo não é julgado por ninguém". O homem carnal é como uma crianças em Cristo. Leite é a sua bebida, não alimento sólido; porque não pode suportar as coisas profundas de Deus. Os ciúmes e as contendas identificam as pessoas carnais.

Bill Bright popularizou a explicação desses perfis no conhecido folheto: “4 Leis Espirituais”. Veja os círculos abaixo, se identifique com um deles e veja a possibilidade de mudança:

O HOMEM NATURAL não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. A sua vida é controlada pelo “EU”. Cristo está fora de sua vida porque ele o rejeita; seus interesses egoístas só causam discórdias e frustrações. Ele vive apenas pelos seus instintos e emoções. Assim é a vida do homem natural. Ele vive apenas para si mesmo e para o que lhe interessa.
O HOMEM ESPIRITUAL julga todas as coisas, mas ele mesmo não é julgado por ninguém. Ninguém jamais foi capaz de por si mesmo conhecer a mente do Senhor, ao ponto de poder instruí-lo. Mas, o homem espiritual, tem a mente de Cristo. Ele é controlado por Cristo que vive no centro de sua vida. O EU do homem espiritual não é anulado, mas não está mais no controle. Seus interesses controlados por Cristo vivem em harmonia com a vontade de Deus.
O HOMEM CARNAL é como uma criança em Cristo. Ele só toma leite, não pode comer alimento sólido. Ele precisa de crescimento para conseguir vivenciar as verdades do evangelho. O homem carnal vive de contendas e ciúmes. Ele é um ser híbrido. Não é mais um ser natural, voltado tão somente para os seus interesses, mas também não tem ainda a maturidade de uma pessoa que conhece a mente de Cristo. Ele vive de circunstâncias e não pela fé.


Assim caminha a humanidade, formada por pessoas naturais, espirituais, e carnais. O homem natural como já foi dito, é aquela pessoa que vive apenas para a vida natural. Ela até pode ter suas crenças, mas nada que venha de Deus, pois ela não aceita a revelação de Deus; para tais pessoas são loucura e tolice todas as coisas que Deus revela ao homem. O homem espiritual, por outro lado, é a pessoa que teve uma experiência real com Deus de um novo nascimento e vive em harmonia com a vontade de Deus. Ela vive pela fé em obediência ao que Deus revelou em sua palavra - a Bíblia, e também segue a direção do Espírito Santo. Mas, o homem carnal é um ser diferente. Ele não é mais completamente natural, voltado apenas para as coisas materiais ou do seu próprio interesse carnal, mas também não é uma pessoa espiritual. Ela vive mais pelas emoções que pela fé. Ela depende das circunstâncias e não dos valores inabaláveis da palavra de Deus. São os típicos saduceus e fariseus religiosos que têm informação sobre Deus, mas não encarnam a vida que ele nos oferece em Cristo.

Você é apenas um ser natural, almático, psíquico, voltado para a matéria, as emoções, um ser apenas existêncial, mas sem nenhum vínculo com o Deus vivo revelado em Jesus Cristo? Ou você já entrou na dimensão do mundo espiritual, onde a vida é mais que biológica, onde a comunhão com Deus é mais que uma utopia? Ou você ainda é uma pessoa carnal, emotiva, circunstancial, vivendo de altos e baixos o tempo todo no curral da religião?

Antonio Francisco - Cuiabá, 17 de agosto de 2012 - Voltar para Como ser discípulo de Jesus.

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