31 de mai de 2012

Experimentando a vontade de Deus

Todos querem conhecer e experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Quando isso não acontece no nosso modo de ver a vida, reclamamos porque não estamos tendo o que queremos da parte de Deus. Mas, a vontade de Deus não se manifesta em nossas vidas de maneira mágica, nem acontece apenas porque cumprimos a programação de uma igreja, ou porque oramos e lemos a Bíblia. Experimentar a vontade de Deus implica em cumprir condições que Deus nos dá.

“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.1-2).

Experimentar a vontade de Deus não significa experimentar apenas o que nos é agradável, pois Jesus falou: “no mundo, passais por aflições”. Mesmo andando com Deus, teremos de lidar com as dificuldades da vida comuns a todos os mortais. A fé em Jesus não suprime as aflições deste mundo, ela nos fortalece para enfrentá-las, lidar com elas, superá-las, e muitas vezes, apenas conviver com alguns espinhos na carne que podem acompanhar qualquer um de nós até a morte. É assim que a vida é. A vontade de Deus também inclui sofrimentos para nós, mesmo quando fazemos o bem (1 Pe 3.17).

Então, pergunta você: “O que é experimentar a vontade de Deus?” Para isso precisamos mudar nossa maneira de ver a vida. É tanto assim que Paulo começa rogando, pedindo, suplicando, para que tenhamos atitudes condizentes com a vontade de Deus. Esse rogar é mais que um pedido do apóstolo, é um chamado do próprio Deus a nós, dizendo: “Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos se agradem dos meus caminhos” (Pv 23.26). Devemos chegar ao ponto de vivenciar a coincidência da nossa vontade com a vontade de Deus. Experimentar a vontade de Deus acontece quando sempre damos razão a Deus, é amar sua vontade como sendo nossa própria vontade. Sem essa disposição, nada feito quanto a experimentar a vontade de Deus.

Essa entrega incondicional a Deus deve ser nossa resposta grata por suas misericórdias que não têm fim e que se renovam cada manhã em nosso favor, sendo elas a causa de não sermos consumidos. É por causa das misericórdias de Deus que nos tornamos filhos e herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; as misericórdias de Deus fazem com que todas as coisas cooperem para o nosso bem; por elas é que nada poderá nos separar do seu amor. Quando conhecemos o Senhor como nosso pastor, não temos mais desejos que nos incomodem, porque ele se torna o nosso contentamento. Ainda cansamos, mas ele nos dá repouso; por nos conhecer perfeitamente ele nos conduz às águas tranquilas e refrigera a nossa alma, guia-nos em caminhos retos. Estamos sujeitos aos vales próximos da morte, mas ele está sempre presente. Quando necessário ele nos corrige, outras vezes nos consola. Ele sabe cuidar de nós nos enchendo de alegria. A bondade e a misericórdia de Deus certamente nos acompanham todos os dias e por fim habitaremos em seu lar eterno para todo o sempre. Tudo isso e infinitamente mais, são expressões de suas misericórdias.

Por causa das misericórdias de Deus é que devemos casar nossa vontade com a dele. Quando assim procedemos certamente experimentamos a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Isso não acontece automaticamente, e sim quando tomamos duas atitudes objetivas. Primeiro, devemos oferecer nossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, o que nada mais é, senão a lógica racional da vida. Uma vez que confesso acreditar nas misericórdias de Deus por mim, não há outra coisa a pensar, a não ser se oferecer a Deus de forma concreta, palpável e existencial. É por isso que ele fala em “sacrifício vivo”, pois os sacrifícios de animais na antiga aliança eram com sacrifícios de animais mortos. Nós somos sacrifícios vivos, ambulantes. A tentação é sempre querer pular fora do altar do Senhor. Devemos viver para Deus com todas as energias de nosso ser, na idade que temos e nas condições em que estamos – dando o nosso corpo totalmente para Deus com a visibilidade que o corpo tem. Dias virão quando diremos: “não tenho neles prazer”. Hoje é o dia de nos darmos a Deus fazendo a sua vontade em todo o nosso estilo de vida.

O sacrifício de nosso corpo deve ser santo, ou seja, separado para Deus. Nossa presença, nossas ações, nossa agenda, nosso trabalho, enfim, tudo o que fizermos, seja em palavras ou em ação, deve ser para a glória de Deus. Aqui não há nenhum puritanismo doente, igrejeiro, religioso, pelo contrário, estou falando de viver de modo normal, mas viver para o agrado de Deus. Nosso corpo deve ser uma oferta santa a Deus cada dia de nossa vida. O sacrifício que Deus nos pede não é aquele estado de penitência doída como um jejum existencial, mas sim, um sacrifício agradável a Deus e a nós. E isso só acontece quando casamos nossa vontade com a de Deus como já falei. Essa junção da vontade de Deus com a nossa vai ficando tão acasalada, que o prazer de Deus em nós se torna o nosso próprio prazer. Não é possível fazer uma dicotomia entre nosso corpo e nosso espírito, como se fosse possível servir a Deus no espírito e usar o corpo para os nossos próprios prazeres. Não. Nosso corpo e nossa mente devem ser conservados separados para Deus e somente para ele na oferenda da vida. O culto racional não é apenas separar um tempo do dia ou da semana para pensar em Deus, mas é dar comandos concretos a nós mesmos, comandos esses que se expressam na vida comum como fruto de nossa confissão de fé. Esse é o sacrifício agradável a Deus.

Em segundo lugar, experimentar a vontade de Deus também implica em não se conformar com este mundo, pois ele jaz no maligno. O sistema deste mundo é mal, sua consciência coletiva não quer nada com Deus; seu modus operandi é contrário aos valores do evangelho de Jesus. O que importa para este mundo é a competição, o egoísmo, o culto de si mesmo, a vaidade dos pensamentos. Como uma pessoa que confessa Jesus Cristo como meu Senhor, não posso me conformar com este mundo, não posso tomar a sua forma. Isso está para além de estereótipos, aparências, de vestimentas corpóreas, de maquiagens. Não se conformar com este mundo é não ser formatado na mentalidade deste mundo, no espírito que atua nos filhos da desobediência, no seu modo comportamental. Essa inconformidade se dá com a renovação constante de nossa mente, andando diariamente em novidade de vida.

Fazendo assim, é que podemos provar, experimentar, e usufruir, a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Isso não acontecerá sem dor, sem arrependimentos, sem lágrimas, e sem tribulações, mas, certamente acontecerá quando satisfizermos as condições que o próprio Deus nos apresenta em sua palavra.

Antonio Francisco - Cuiabá, 31 de maio de 2012 - Voltar para Um novo caminho.

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