28 de out de 2011

Pondera

Vivemos numa geração que não gosta de pensar. Esse tempo pós-moderno nos atrai para os enlatados, as relações virtuais, as frases de efeito e a moda de cada estação. Ser diferente hoje é ser anormal; ser você mesmo é estranho se o seu perfil não condiz com o jeito de ser da maioria. Esse é um tempo para gente que pensa, pondera e renova a mente. Não basta ter opinião, é preciso ter convicção.

A Bíblia diz que o homem feliz é aquele que medita na Palavra de Deus de dia e de noite. Isso não acontece de forma automática, mas proposital. Meditar nesses dias é uma virtude rara.

O que você diria para um amigo jovem, sabendo que seus dias na terra se abreviam? (Os seus dias não os do amigo). Refiro-me a Paulo, o apóstolo, em relação a Timóteo seu companheiro de viagens e de serviços na comunidade dos amigos de fé. Paulo escreveu sua última carta da prisão fazendo importantes recomendações para que Timóteo permanecesse no evangelho de Jesus. Ele tinha uma fé sincera, a mesma que habitou em sua avó Lóide e em sua mãe Eunice. Essa fé sem fingimento devia ser mantida, mas para isso ele deveria ponderar nas verdades que já conhecia desde sua infância, e também levando em conta as considerações passadas pelo velho apóstolo que estava preso num calabouço por ordem do império romano, prestes a morrer por causa de sua fé em Jesus Cristo.

Entre as orientações inspiradas por Deus passadas por Paulo, ele disse que Timóteo devia se fortificar na graça encontrada em Cristo Jesus. Aquele jovem era tímido e frágil precisando assim de força para viver com qualidade. Essa força não estava nele, nas idéias filosóficas, nas crenças populares, nem nos jogos olímpicos. A força motriz para uma vida abundante é encontrada de graça em Cristo Jesus (2Tm 2.1). Nele estamos aperfeiçoados e santificados. Todas as promessas de Deus para nós têm em Jesus o sim, o Amém divino. Deus tem nos doado as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas nos tornemos participantes da natureza divina, ficando assim livres da corrupção das paixões que há no mundo. Tudo isso é obtido mediante a fé em Jesus.

O apóstolo Paulo responsabilizou Timóteo a passar adiante o que havia recebido dele na presença de muitas testemunhas. Essa cadeia de transmissão é formada de gente fiel e idônea, caso contrário, a mensagem se corrompe no caminho e perde sua continuidade para futuras gerações.

Paulo usa algumas metáforas para ilustrar seu ensino. Primeiro ele fala de um bom soldado dedicado. Ele não se envolve com nada que o distraia de seu serviço, pois seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou para a vida militar. Nesse propósito ele se dispõe a sofrer pela causa que abraçou, sabendo bem o que está fazendo. Depois, ele usa a figura do atleta que para ser premiado, tem que seguir bem as normas da competição. Em terceiro lugar, ele faz menção do lavrador que trabalhando com dedicação, deve ser o primeiro a participar dos frutos.

Depois disso Paulo diz: “Pondera o que acabo de dizer, porque o Senhor te dará compreensão em todas as coisas” (2Tm 2.7). Enquanto Timóteo meditava na orientação recebida, Deus lhe daria compreensão de todas elas. A mesma coisa vale para nós hoje. Precisamos nos fortalecer na bondade de Deus para nós em Cristo Jesus, sermos canais das boas novas do evangelho, e termos a fidelidade de um bom soldado, a dedicação de um disciplinado atleta e o desempenho de um trabalhador do campo. Meditar nas implicações dessas ilustrações com a iluminação do Espírito Santo de Deus em nossas mentes cria em nós uma estrutura intrépida e madura.

Os seguidores de Jesus não são soldadinhos de chumbo manipulados como marionetes nas mãos de pessoas astutas e controladoras da ingenuidade dos incautos. Falo assim porque pessoas do bem não têm nenhuma pretensão de controlar ninguém. Portanto, desenvolvamos a capacidade de ponderar e de tirar conclusões por nós mesmos. Não estou com isso dizendo que devemos nos alienar, adquirindo assim o complexo de Adão, como se tudo tivesse que começar com a gente. Pelo contrário, devemos avaliar todas as coisas, mas reter apenas o que for bom. É feliz aquele que não se condena no que aprova. Renovemos nossa mente para podermos experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Ocupemos a mente apenas com o que seja bom e edificante. É preciso ponderar, mas isso não acontece com a mente vazia.

Antonio Francisco - Cuiabá, 28 de outubro de 2011 – Voltar para Um novo caminho.

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