23 de set de 2011

Uma família normal

Uma família normal é uma família saudável que vive com naturalidade. Geralmente as famílias vivem nos extremos: no liberalismo onde vale praticamente tudo dentro de casa - cada um faz o que bem entende, ou, então são legalistas, vivendo à base de regulamentados, e sem liberdade de expressão. Os extremos nunca fazem bem, e uma família normal é equilibrada, porque, ser normal é o que normalmente se quer.

Em uma família normal as pessoas são livres para viver conforme a consciência de cada um dentro da unidade familiar. É bem verdade que numa família onde os filhos ainda são crianças e adolescentes, faz necessário a criação de princípios de conduta. Mas, à medida que os filhos crescem e o tempo de casamento se prolonga no decorrer dos anos, a liberdade de ser o que cada um é deve ser normal.

O apóstolo Tiago fala em sua carta da “lei da liberdade”, que é viver com consciência os valores do Evangelho. Só existe liberdade quando a pessoa é livre para escolher o que faz. Se a obediência é resultado de uma imposição, isso não é obediência; chame isso de legalismo, religião, ou outra coisa, menos obediência ao Evangelho.

Dificilmente você encontra uma família que vive a “lei da liberdade”, pois, como dito antes, as famílias são disfuncionais, desorganizadas, libertinas, sem a condução sábia dos pais e sem a conduta saudável dos filhos, ou então você encontra famílias que parecem uma companhia militar, com normas para tudo. Geralmente esse comando déspota vem de um pai/marido imaturo, ou de uma mãe/esposa mandona.

Depois que o pecado entrou no mundo, nenhuma família tem condição de ser perfeita. Aceitar isso ajuda a criar a consciência de sermos uma família normal, porque nenhuma família é perfeita, todas têm problemas. Reconhecer as limitações familiares faz parte de uma família normal. As palavras do sábio Salomão podem ser aplicadas no modo como lidamos com nossa família: “Não sejas demasiadamente justo, nem exageradamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo?” (Ec 7.16).

A Bíblia fala da família com realismo, mostrando sua imperfeição em todos os tempos. A família de Adão e Eva conheceu a inveja, o ódio e o homicídio. Noé teve problema com a embriaguez e a curiosidade sexual de um de seus filhos. Abraão mentiu sobre a sua esposa, teve atritos com o sobrinho Ló, fez parte de um triângulo de interesse procriativo entre Sara e Hagar. Ló viu sua esposa se transformar em estátua de sal por desobediência a Deus e manteve relação sexual com suas filhas. Ismael e Isaque filhos de Abraão, nunca se deram bem e seus descendentes brigam até hoje. Raquel e Lia disputaram o amor de um mesmo homem a vida toda. Jacó e Esaú começaram a brigar desde o ventre materno e nunca se entenderam. José foi odiado por seus irmãos. Moisés, Miriã e Arão também se desentenderam como irmãos. Eli e Samuel foram líderes em Israel, mas tiveram filhos rebeldes. Davi teve problemas com seu genro Saul, adulterou, e viu incesto fratricídio e rebelião em sua casa. Oséias casou com uma prostituta. A própria família de Jesus era problemática.

O texto citado acima mostra que numa família normal há a possibilidade de desarmonia, ausência de amor, amargura, desobediência, irritação e desânimo. Isso não é o ideal, mas é normal numa família consciente e madura.

O que fazer então para revermos nosso conceito de família? Quero sugerir que pensemos em três palavras: perdão, aceitação, e comunhão. Nenhuma família é perfeita e nunca teremos uma família perfeita, mas podemos melhorar, crescer, e reavaliarmos nossos conceitos familiares.

Facilmente ofendemos e somos ofendidos em família. Isso sugere a possibilidade de considerarmos o perdão. Muitas vezes convivemos com sentimentos feridos dentro de casa. É o marido que ofende a esposa, é a mulher que maltrata o marido, é o pai que extrapola com o filho é o filho se afronta seus pais. Isso é resolvido com perdão.

Depois de perdoar, devemos nos empenhar em aceitar as pessoas de nossa família exatamente como elas são. Esse é um desafio que quando superado, traz transformações maravilhosas para qualquer família. Não devemos exigir que ninguém seja como queremos que ela seja. Mas isso acontece o tempo todo dentro de casa. Precisamos decidir aceitar as pessoas como elas são começando com nossa família.

Perdão e aceitação preparam o terreno para a comunhão. A superficialidade na relação familiar não muda enquanto os membros da mesma família não se perdoarem e não se aceitarem naturalmente. Uma vez que isso acontece, a qualidade da convivência familiar cresce e desenvolve para um estilo de vida prazeroso em família.

Antonio Francisco - Cuiabá, 23 de setembro de 2011 - Voltar para Encontro de Casais.

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