30 de set de 2011

Casamento e cumplicidade

Casamento une duas pessoas conjugadas pelo amor. A relação é crescente entre as partes. A Bíblia diz: “Deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne”, e, “o que Deus ajuntou não o separe o homem”. Isto quer dizer que entre quatro paredes vale tudo se houver acordo entre marido e mulher? Eles podem fazer o que bem quiserem sem que isso fira os valores do matrimônio?

Deus aprova tudo o que um casal aprova entre si? Há lugar para diferenças entre um casal? Ou marido e esposa devem concordar sobre tudo para que a natureza do casamento se mantenha? O marido pode impor sua vontade sobre a esposa? A mulher deve sempre concordar com o marido para ser submissa? Cada pessoa tem a liberdade de agir conforme sua consciência, mesmo que isso contrarie o cônjuge?

Ananias e Safira eram casados e viveram no início da igreja, num período onde a fraternidade e a solidariedade se expressavam com intensidade. As pessoas vendiam o que tinham e repartiam com quem não tinha nada. Isso era tão funcional que não havia necessitados entre eles. Tudo era feito com naturalidade e sem nenhuma imposição por parte dos apóstolos. O direito de propriedade é um valor cristão. O que é meu é meu, o que é seu é seu. Mas, quando o evangelho é encarnado em nós, deixamos de considerar o que temos como sendo apenas nosso, pois aprendemos a nos interessar pelos outros e assim compartilhamos o que temos com quem precisa de nós.

Nesse contexto foi que Ananias com sua mulher Safira vendeu uma propriedade. Depois disso ele fez um acordo com sua mulher para reter parte do preço, levando o restante para os apóstolos para que eles distribuíssem entre os necessitados. Pedro teve um discernimento espiritual e questionou Ananias dizendo: “Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo? Conservando-o, porventura, não seria teu? Como, pois, assentaste no coração este desígnio? Não mentiste aos homens, mas a Deus” (At 5.3-4).

Ao ouvir aquelas palavras Ananias caiu morto imediatamente e foi sepultado. Quase três horas depois, entrou Safira sem saber o que tinha acontecido ao seu marido. Ao ser interrogada por Pedro, ela confirmou o que Ananias havia dito. Pedro condenou o acordo do casal pois estavam tentando o Espírito Santo. Ao saber da morte do marido ela também caiu morta aos pés de Pedro e foi sepultada junto do marido.

Esse é um típico exemplo de cumplicidade entre um casal para mostrar que nem todo acordo entre marido e mulher é sinônimo de união conjugal e nem tem a aprovação de Deus. A Bíblia condena a cumplicidade para o mal:

“E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as” (Ef 5.11). Esta palavra se aplica a tudo em nossas vidas, inclusive ao casamento. Nenhum cônjuge deve se sujeitar a qualquer proposta conjugal que não condiga com os valores do evangelho de Jesus nem com a boa consciência cristã.

“A ninguém imponhas precipitadamente as mãos. Não te tornes cúmplice de pecados de outrem. Conservas-te a ti mesmo puro” (1Tm 5.22). A cumplicidade no casamento pode passar a falsa impressão de unidade, comunhão e harmonia entre o casal. Mas, se tal entrosamento gira em torno de acordos dúbios e reprováveis, tal conjugalidade não terminará bem. A pureza interior é pessoal, antes que seja marital.

“Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas. Porquanto aquele que lhe dá boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más” (2Jo 10-11). Falsos irmãos e falsos pregadores do evangelho eram identificados pela doutrina que traziam. Deveriam ser rejeitados se anunciassem qualquer ensino não condizente com a verdade das Escrituras Sagradas. Assim também deve ser no casamento, pois, acima dos interesses comuns ao casal, estão os interesses da vontade de Deus.

“Ouvi outra voz do céu dizendo: Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos” (Ap 18.4). O povo de Deus deverá se afastar de toda política e religiosidade perversas que haverá de se manifestar nos últimos dias. Caso contrário, será cúmplice dos castigos resultantes de tais maldades. Igualmente no casamento, devemos recusar toda maldade proposta pelo cônjuge. O casamento deve existir com base na verdade, na liberdade de consciência, sempre conforme os princípios da Palavra de Deus. Nada de cumplicidade para o mal.

Um dos maiores erros nos casamentos é achar que somos donos do nosso cônjuge. Isso implica em querer criar o cônjuge como se fosse uma criança em formação. Além disso, existe a infantil mentalidade de achar que um casamento é abençoado apenas se houver acordo sempre em tudo entre o casal. Para que isso aconteça um dos dois precisa se anular. Não é assim que as coisas devem ser. Quando casamos não perdemos a individualidade nem a liberdade de escolher e de decidir. O casamento existe entre duas pessoas diferentes. A harmonia deve ser trabalhada cada dia.

Antonio Francisco - Cuiabá, 30 de setembro de 2011 – Voltar para Encontros de Casais.

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