27 de ago de 2011

Vaso de Honra


Deus manda Jeremias usar um oleiro como ilustração da decadência de Israel e de como Deus poderia restaurá-lo pelo seu amor. Ele é o oleiro eterno que trabalha em vasos frágeis como nós até torná-los semelhantes a seu Filho Jesus. Nossa oração deve ser a do cântico: "Eu quero ser, Senhor amado, como  o vaso nas mãos do oleiro. Quebra a minha vida e faze-a de novo, eu quero ser, eu quero..."

“Palavra do Senhor que veio a Jeremias, dizendo: Dispõe-te, e desce à casa do oleiro, e lá ouvirás as minhas palavras. Desci à casa do oleiro, e eis que ele estava entregue à sua obra sobre as rodas. Como o vaso que o oleiro fazia de barro se lhe estragou na mão, tornou a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe pareceu. Então, veio a mim a palavra do Senhor: Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel” (Jr 18.1-6).

É interessante observar que o vaso se estragou na mão do oleiro. Isso me diz que não saímos da mão de Deus nem mesmo quando nos estragamos com nosso jeito errado de proceder. Como Deus jamais falha, é claro que o estrago aqui veio da parte do barro. Estrago esse que resultou em um vaso novo. Não é porque pecamos que Deus lava as mãos com a gente. Pelo contrário, ele torna a fazer outro vaso, segundo bem lhe parece.

O oleiro sabe manusear o barro como bem lhe interessa. Deus sabe o que faz com a nossa vida. A questão difícil é se deixar moldar ao gosto do oleiro celeste. Ao contrário do barro inerte e inanimado, nós temos vontade e interesses. Entregar-se sem reservas às mãos do oleiro é o desafio diário que temos que assumir pessoalmente de boa vontade. É mais ou menos como a máxima do AA – cada dia entregar-se nas mãos do oleiro.

O apóstolo Paulo chama a luz do evangelho da glória de Cristo de tesouro. Essa luz resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo. Esse tesouro está em vasos de barro que é o nosso corpo, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós (2Co 4.4-7).

Somos frágeis e limitados, mas isso não impede que Deus faça resplandecer em nós a luz do Evangelho, para que conheçamos a glória de Deus em Cristo. Somos como a lua sem luz própria, mas que reflete a luz do sol que é Cristo. Ele é a luz do mundo, mas quem o segue tem a luz da vida. Foi por isso que ele disse: “Vós sois a luz do mundo”.

Seguir a Jesus, portanto, é se deixar possuir pelo facho de luz eterna que possui um corpo temporal, sujeito a enfermidades e a morte, mas que aprouve a Deus tratá-lo com honra, depositando em nós as riquezas de sua graça inaudita. Isso me faz lembrar uma brincadeira do meu tempo de criança que deixava a meninada arrepiada. No escuro da noite os adultos apareciam com cabaças perfuradas nos moldes de um rosto com uma lamparina dentro. O visual era assustador, mas resultava em muitas gargalhadas. Nós somos essas cabaças que transportam o tesouro da luz do Evangelho.

“Ora, numa grande casa não há somente utensílios de ouro e de prata; há também de madeira e de barro. Alguns, para honra; outros, porém, para desonra. Assim, pois, se alguém a si mesmo se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra” (2Tm 2.20-21).

Essas palavras nos desafiam e nos inspiram a sermos vasos de honra, úteis ao seu possuidor. Existem vasos diversos de diferentes matérias e funções. Alguns são postos em locais de honra, outros são usados para comportarem importantes valores. Mas existem também os vasos comuns usados para ocuparem conteúdos não desejados.

O texto bíblico diz que a diferença entre ser um vaso de honra ou de desonra está em nós. Cabe a cada pessoa a decisão de purificar-se. O contexto fala de erros como contendas de palavras, falatórios inúteis e profanos, desvio das verdades essenciais do Evangelho e a injustiça. Somos responsabilizados em deixar tais práticas e coisas semelhantes, para que assim fazendo sejamos vasos de honra.

Vale a pena ser barro maleável nas mãos do oleiro que nos criou, nos conhece, nos ama, e que tem um plano eterno para nós. Tudo em nós contribui para a concreção desse projeto. Mas não há como negar que tudo acontece nas mãos do oleiro. É em Jesus que começa e termina a boa obra na formação de um vaso de honra.

Antonio Francisco - Cuiabá, 27 de agosto de 2011 - Voltar para Mensagens.

1 comentários:

Sempre pensei nessa responsabilidade que é atribuída a nós, de nos purificar de toda imundícia, afim de nos acharmos dignos de por Ele sermos chamados: Vasos de honra! Como diz em I Tessalonicenses 3-4, 7-8, "(...) Porque nos chamou Deus para a santificação (...) Quem despreza isso, não despreza o Homem, mas sim a Deus, que nos deu também o seu Espírito Santo". Texto maravilhoso! Deus continue abençoado a sua vida irmão.