14 de ago de 2011

Unção com óleo

Existem muitas controvérsias sobre unção com óleo. Decidi escrever sobre isso porque na leitura bíblica que fazemos em nossa comunidade nos deparamos com um texto que cita o assunto e fui perguntado sobre o seu significado. A Bíblia fala sobre isso, mas não como as igrejas praticam hoje. No Antigo Testamento, os lugares, os móveis, e até mesmo as armas, eram ungidos quando consagrados a Deus.

Mas, o Novo Testamento não ensina isso, e devemos nos reger em última instância pela Nova Aliança. Por isso, não devemos ungir templos, cadeiras, mesas, instrumentos musicais, chave de casa, carro ou qualquer outra coisa. O templo de Deus somos nós e não um prédio como era antes de Jesus.

Precisamos lembrar sempre que fazemos parte do Novo Testamento. As práticas ritualísticas da velha aliança já caducaram. Querer mantê-las hoje é pisar na obra redentora e perfeita de Jesus. Portanto, nada de coisas ungidas e objetos “abençoados”. Isso é fetiche de crente e devemos rejeitar. O justo vive pela fé.

O Antigo Testamento também nos mostra a unção de pessoas separadas e consagradas a Deus para uma tarefa específica. Isso era feito principalmente com sacerdotes, reis e profetas. Mas, isso perdeu o sentido com a vinda de Jesus. Ele é o Messias, o Ungido de Deus, nosso Sumo Sacerdote, Profeta e Rei. Não há necessidade de ungir ninguém com óleo para ocupar qualquer função na igreja ou fora dela. O Novo Testamento substituiu a unção de pessoas pela imposição de mãos, mas, com significação distinta.

O Novo Testamento não ensina que devemos ungir coisas, lugares ou pessoas separadas para serviços eclesiásticos ou seculares. (Alguém pode estranhar que façamos diferença entre o Antigo e o Novo Testamento. Mas existe diferença, sim. A Bíblia toda é inspirada por Deus, mas ela é dividida em dois testamentos. Eles não se contradizem, eles se completam. O Antigo Testamento fala da aliança de Deus com a nação de Israel, o Novo Testamento fala da aliança de Deus com a Igreja. A antiga aliança cessou com a vinda de Jesus ao mundo. A Bíblia é completa com os dois testamentos e tudo quanto foi escrito é para o nosso ensino. Mas, tudo deve ser lido tendo Jesus como chave hermenêutica. Quase todo o Antigo Testamento se cumpriu com a vinda de Jesus, e, o que o Novo Testamento não confirma como continuidade do que vem do Antigo Testamento é porque já passou ou já se cumpriu. Quem ignorar isso se perde na leitura bíblica sobre qualquer assunto. O grande problema da maioria das igrejas é trazer para os nossos dias o estilo de vida do Antigo Testamento. Quem quiser viver pela lei, não tem nada com Jesus). A unção com óleo não tem o sentido que tinha antes.

Quando André, irmão de Simão Pedro encontrou Jesus, ele disse: “Achamos o Messias (que quer dizer Cristo) (Jo 1.41). Messias (hebraico) é o mesmo que Cristo (grego) e quer dizer “Ungido”. Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele” (At 10.38). Jesus não foi ungido com óleo e nunca ungiu ninguém com óleo. Ele foi ungido com o Espírito Santo.

Nós também fomos ungidos com o Espírito Santo. Todo crente em Jesus tem a unção (2Co 1.21-22; 1Jo 2.20, 27). Essa é a unção que importa. Ela nos dá o conhecimento que precisamos para viver como Deus quer. Ela nos ensina a respeito de todas as coisas e não temos necessidade de que alguém nos ensine. Fomos selados com o Espírito Santo; essa é a garantia que pertencemos a Deus para sempre (Ef 1.12-13; 4.30).

O Novo Testamento menciona a unção com óleo. É verdade. Mas não do modo como acontecia no Antigo Testamento. Quando Jesus enviou os doze apóstolos de dois em dois, eles saíram pregando ao povo que se arrependesse; expeliam muitos demônios e curavam numerosos enfermos, ungindo-os com óleo (Mc 6.7-13). O óleo tinha uma função medicamentosa. Usava-se óleo em ferimentos (Is 1.6; Lc 10.34).

O texto de Tiago 5.14-15 diz que é o doente que deve chamar pessoas maduras para orarem sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. Isso é muito pessoal. A linha entre a expressão de fé e o fetichismo é muito fina. O que o texto diz é muito diferente de óleo consagrado no monte e filas de pessoas esperando para serem ungidas em cultos. É a oração da fé que cura o doente e não o óleo.

Antonio Francisco - Cuiabá, 14 de agosto de 2011 - Voltar para Mensagens.

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