16 de ago de 2011

Entre a Justificação e a Glorificação

A justificação é um ato de Deus pelo qual ele perdoa todos os nossos pecados e atribui a nós a justiça de Cristo. Não existe nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus que morreu e ressuscitou para que isso fosse possível; o qual está à direita de Deus e também intercede por nós. Nada pode nos separar desse amor, ainda que tenhamos que passar por tribulação, angústia, e tudo o mais.

“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado” (Rm 5.1-5).

O efeito imediato da justificação é paz com Deus. Éramos inimigos de Deus por causa de nossos pecados, mas fomos reconciliados mediante a morte do seu Filho. Essa relação de paz nos introduziu num estado de graça no qual estamos firmes. Veja que processo maravilhoso: A justificação nos deixa imediatamente em paz com Deus, que nos dá acesso contínuo a esta graça na qual vivemos, e nos enche de esperança da glória de Deus. O imediato, o contínuo, e o futuro se interligam quando estamos em Cristo. Aqui temos um resumo do que seja a vida cristã: paz, graça e glória. A paz nos faz olhar para o passado quando nos reconciliamos com Deus. A graça é o favor de Deus que nos sustenta cada dia. A glória nos direciona para o futuro eterno que já nos alegra hoje.

Tudo isso é verdade e maravilho. Mas, o texto bíblico também diz: “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações”. Vivemos em um mundo hostil que naturalmente pressiona os que andam no caminho cristão. Antes de entrarmos na glória eterna não é de estranhar que passemos por muitas tribulações. Nossa relação com as tribulações não deve ser de resignação, mas de regozijo.

Alegrar-se nas tribulações não tem nada a ver com o prazer de sofrer, mas com os benefícios que as tribulações produzem. Entendemos que as tribulações fazem parte do propósito de Deus para nós. A tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança.

Não existe perseverança sem tribulação. É a própria tribulação que produz a perseverança. Assim como o ferro é depurado no cadinho, a tribulação burila aquele que a suporta de forma correta.

A perseverança por sua vez produz a experiência. A perseverança nos faz aprovados. A maturidade de uma pessoa não acontece de forma automática. As tribulações da vida são inevitáveis. Sendo assim, precisamos passar por elas com firmeza e persistência. Desse modo é que adquirimos experiência e aprovação para a vida.

A experiência produz esperança, confiança da glória final. O que seria de todos nós sem a esperança da glória de Deus? Se a nossa esperança em Cristo se limitasse apenas a esta vida, seríamos os mais infelizes de todos os homens. É por isso que podemos nos alegrar nas próprias tribulações. Sem a esperança da glória de Deus ninguém é capaz de gloriar-se nas tribulações.

A esperança da glória não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado. O amor de Deus por nós garante o que esperamos. A certeza desse amor é garantida pelo Espírito Santo. Quem tem o Espírito Santo na vida não tem dúvida dessa verdade, pois ele derrama o amor de Deus por nós em nossos corações. Não é o nosso amor por Deus, mas, o amor de Deus por nós que firma nossa esperança eterna.

Antonio Francisco - Cuiabá, 16 de agosto de 2011 - Voltar para Um novo caminho.

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