24 de mar de 2011

Movimentos

Movimento é o “Ato ou processo de mover-se, um determinado modo de mover-se, afluência de gente que se move, animação, série de atividades organizadas por pessoas que trabalham em conjunto para alcançar determinado fim” (Aurélio). Quem ler os evangelhos livre dos vícios religiosos que permeiam as igrejas, percebe bem que a vida cristã é um movimento dinâmico de cada dia.

Jesus chamou-se de caminho, teve na terra um ministério itinerante, andava por vilas e cidades anunciando o Reino de Deus, chamou as pessoas para segui-lo, enviou seus discípulos em várias missões em Israel, e por fim os mandou aos confins da terra para pregarem o Evangelho. O Novo Testamento usa muitas vezes a palavra “andar” para falar do modo como devemos exercer a fé. A fé sem obras está morta (Tg 2.17), o que significa dizer que a fé se expressa e se manifesta em ações.

Durante os primeiros trezentos anos da história da Igreja, ela foi um movimento que se espalhou por todo o Império Romano. O livro de Atos dos Apóstolos que narra os primeiros trinta anos da Igreja mostra seu início em Jerusalém e termina o livro com a igreja em Roma, a capital imperial. O movimento cristão subverteu o paganismo e a religiosidade oca em seus primeiros séculos. Em Tessalônica, alguns judeus invejosos chegaram a dizer do movimento poderoso de Jesus: “Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui” (At 17.6). Não foi sem razão que Jesus chamou seus discípulos de sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13-16). A influência da Comunidade do Caminho não pode passar despercebida. Se perdermos nossa salinidade não prestamos para nada, senão ser pisados pelos homens.

Infelizmente no quarto século de nossa era, a Igreja se paganizou. Constantino, imperador romano, cristianizou o império, fazendo cessar a perseguição aos cristãos e popularizando a cristandade. Foi mais ou menos como acontece em nossos dias; tornou-se chique ser cristão. As pessoas mudam de religião, mas não mudam o coração. Religião sem conversão é pura ilusão. Naqueles dias o governo patrocinou a igreja, sustentou financeiramente seus líderes, construiu templos, elitizou a crença, e tornou o império um amplo panteão, acrescido da “igreja cristã”. O Brasil está se tornando um país evangélico. Mas, sem o movimento distinto próprio do povo que se chama pelo nome do Senhor, tudo vai virar um panteão.

O catolicismo romano deu expressão a esse desvio histórico da fé, até que no século XVI houve uma “reforma”, mas que não conseguiu restaurar a Igreja à sua condição inicial. Os séculos seguintes mostraram movimentos localizados de despertamento espiritual, apenas fogueiras espirituais isoladas, mas, a identidade do movimento primevo ainda não foi restaurado. Para todos os lados que olhamos, encontramos monumentos religiosos e cruzes erguidas, mas, onde está o movimento dos filhos de Deus impactando a sociedade com a contracultura do Evangelho?

A Igreja de Jesus foi planejada por Deus para ser um movimento, mas infelizmente se tornou um monumento eclesiástico com valores denominacionais mais apreciados que o melhor vinho do puro Evangelho de Jesus. A miopia espiritual é tamanha que, ser uma igreja abençoada hoje em dia, é ter um prédio confortável com uma placa de neon na frente anunciando o nome da coisa. A igreja evangélica, com poucas exceções, tem se tornado uma moderna Babilônia, uma religião nojenta. Deus está dizendo para os seus: “Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos” (Ap 18.4).

A Comunidade do Caminho está mobilizada para atiçar no poder do Espírito Santo, um movimento permanente de homens, mulheres, jovens e crianças, rumo à pátria celestial. Devemos vigiar permanentemente para não sermos influenciados com o fermento religioso que está inchando cada dia a massa evangélica. Entre nós não há esquemas, iscas, chamarizes, barganhas ou truques. Vivemos enquanto caminhamos em Jesus com acesso permanente para quantos quiserem pegar estrada com a gente. Andamos juntos e chegaremos juntos lá, em movimento. A estagnação não combina com o cristão. Estamos indo!

Antonio Francisco - Cuiabá, 24 de março de 2011 - Voltar para Mensagens.

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