1 de mar de 2011

Devocionais

Em nossos dias o silêncio incomoda. Pouca gente consegue parar para meditar. Até que a pessoa adquira a maturidade de cultivar a presença de Deus, é importante que ela tenha um tempo específico do dia para suas devoções. Devemos aprender a viver mergulhado na presença de Deus com a mesma naturalidade que um peixe vive na água. Fomos criados por Deus e precisamos ter comunhão com ele.

Mas, poucos chegam a esse nível de crescimento. Por isso, os momentos devocionais são exercícios espirituais favoráveis para esse desenvolvimento. Isso deve acontecer de forma planejada e metódica. Caso contrário, é difícil criar o hábito. Com o tempo isso muda.

Mas, nada substitui ou dispensa o tempo a sós com Deus. Jesus nos ensina a entrar no quarto, fechar a porta, e orar ao Pai, que está em secreto; e o Pai, que vê em secreto, nos recompensará (Mt 6.6). Ele mesmo, Jesus, levantava-se alta madrugada para orar em algum lugar deserto (Mc 1.35). Ele também retirava-se para o monte onde passava a noite orando a Deus (Lc 6.12). Jesus não fazia isso esporadicamente, pois era piedoso e orava intensamente (Hb 5.7). Jesus não apenas ensinou os seus discípulos a cultivar uma vida devocional, mas, ele mesmo fez isso.

Há um universo a ser explorado por aqueles que adquirem a prática de um tempo devocional diário. Olhos ainda não viram, ouvidos não ouviram, nem jamais penetrou em qualquer coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam. O Espírito Santo que perscruta até mesmo as profundezas de Deus, já tem revelado essas coisas (1Co 2.9-10). Cabe a nós a vivência de toda sorte de bênçãos na pessoa de Jesus (Ef 1.3). Deus quer ser achado por todos que lhe buscarem de todo o coração. Quando isso acontece, ele se deixa achar e muda a sorte de quem assim procede (Jr 29.13-14).

É uma pena que os chamados cristãos de nossos dias não saibam o que é meditar, orar, silenciar, ouvir, e, consequentemente não têm uma vida devocional consistente. O que na Idade Média era comum entre os piedosos cristãos, hoje é um exercício comum entre os orientais com a meditação transcendental. Os crentes hoje gostam é de barulho, frenesi, movimentação. O vazio interior e a falta de valores na alma faz com que a busca externa gere uma coceira nos ouvidos e comichões no espírito. Peça quinze minutos de silêncio total em um culto de crente evangélico e você verá o volume de críticas se avolumarem. Esse é um tempo para atender a palavra do Senhor quando diz: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus” (Sl 46.10).

A meditação como parte do cultivo devocional era prática comum entre os que temiam a Deus no passado. Vejamos algumas passagens bíblicas que ilustram isso:

“Saíra Isaque a meditar no campo, ao cair da tarde” (Gn 24.63).

“As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, Senhor, rocha minha e redentor meu!” (Sl 19.14).

“Uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo” (Sl 27.4).

“No meu leito, quando eu de ti me recordo e em ti medito, durante a vigília da noite” (Sl 63.6).

“Seja-lhe agradável a minha meditação; eu me alegrarei no Senhor” (Sl 104.34).

“Meditarei nos teus preceitos e às tuas veredas terei respeito” (Sl 119.15).

“Faze-me atinar com o caminho dos teus preceitos, e meditarei nas tuas maravilhas” (Sl 119.27).

“Para os teus mandamentos, que amo, levantarei as mãos e meditarei nos teus decretos” (Sl 119.48).

“Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia!” (Sl 119.97).

“Os meus olhos antecipam-se às vigílias noturnas, para que eu medite nas tuas palavras” (Sl 119.148).

“Meditarei no glorioso esplendor da tua majestade e nas tuas maravilhas” (Sl 145.5).

A Bíblia diz que é bem-aventurado aquele cujo prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite (Sl 1.1-2). Nada deve substituir um tempo devocional específico. Porém, como diz o texto bíblico, nossa meditação deve ser de dia e de noite. Mas, que ninguém faça de sua vida devocional que é tão importante, um meio de tortura. Tudo deve ser feito com disciplina, mas ao mesmo tempo com naturalidade. Quando porventura não tiver o seu momento devocional, não se sinta culpado ou rejeitado por Deus. Não é assim que deve ser. Deus nos ajude. Amém!

Antonio Francisco - Cuiabá, 1 de março de 2011 - Voltar para Mensagens.

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