24 de mar de 2011

Caminho crianças

No texto citado logo abaixo é interessante observar a atitude dos pais, dos discípulos e de Jesus para com as crianças. Naquela época ninguém tinha tempo para as crianças; elas eram cuidadas por escravos e eram maltratadas com facilidade. Essa passagem bíblica merece nossa atenção pois está cheia de lições práticas para todos nós como pais, professores, líderes, enfim, todos devem atentar para isso.

“Então, lhe trouxeram algumas crianças para que as tocasse, mas os discípulos os repreendiam. Jesus, porém, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus. Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele. Então, tomando-as nos braços e impondo-lhes as mãos, as abençoava” (Mc 10.13-16).

A atitude dos pais é curiosa ao trazerem as crianças para que Jesus as tocasse. A candura amorosa de Jesus com o povo os atraiu, certamente. “A grande multidão o ouvia com prazer” (Mc 12.37). Jesus cativava os marginalizados e os desprezados. Ele tocava nas pessoas, curava os doentes, e supria os necessitados. As crianças não valorizadas naqueles dias, eram amadas, recebidas e abençoadas por Jesus.

A atitude grosseira dos discípulos seguiu apenas o costume naquela cultura. Naquele tempo, havia abuso pederástico com as crianças, além de outras formas de ofensas. O fato dos discípulos andarem com Jesus não mudou o modo de tratarem os pequeninos, pelo menos até aquela ocasião citada no evangelho.

O carinho de Jesus pelas crianças lhe deixou indignado com a atitude ofensiva dos discípulos. Jesus tinha tempo para essa “turminha do barulho” tão desprezada pelos pais, pelo governo, e pelo povo em geral. Ele parava para observar as crianças brincarem (Mt 11.16-17); elas lhe alegravam. Quando entrou em Jerusalém como rei, as crianças gritavam louvando a Deus; os líderes religiosos ficaram incomodados e queriam que Jesus as calasse, mas ele as defendeu e aceitou a expressão fogosa como agiram (Mt 21.14-17). Algumas eram tão pequenas que ele parecia embalá-las. Jesus chama nossa atenção para aprendermos com as crianças (Mt 18.1-5).

Na Comunidade do Caminho as crianças são bem-vindas. Entre nós elas não estorvam; são aceitas com naturalidade e participam como as crianças participam. Entre nós as crianças participam diretamente dos cultos, não são separadas em um cantinho. Elas interagem cantando, perguntando e brincando, como é próprio das crianças. Assim como em casa as crianças crescem e aprendem no convívio comum do lar, assim também acontece na família da fé. Ninguém coloca seus filhos numa escola para aprender como se portarem à mesa das refeições, como sentar, como segurar o garfo e coisas semelhantes. Em casa as crianças ficam à vontade e são ensinadas naturalmente no convívio. Esse ambiente familiar continua em nossos encontros fraternos de adoração e estudos da Bíblia. Somos uma família, não uma escola ou uma academia.

O movimento “Caminho Crianças”, é nada mais que a valorização dos nossos pequeninos. A Bíblia diz: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele” (Pv 22.6). É isso que queremos fazer com nossas crianças; ensiná-las a conhecer e amar Jesus, e praticar os valores bíblicos à medida que crescem. Como Jesus, as crianças devem crescer em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens (Lc 2.52). Como disse Fritz Reuter: “Ensinar crianças é diferente de fazer sermões. De vez em quando os velhos podem ser ajudados... mas a alma de uma criança... você não precisa de uma vara, mas apenas do talo de uma tulipa, para chamá-la”.

Aprendi muito com os livros do Dr. James Dobson sobre como criar minhas filhas. Sou eternamente grato a esse querido pediatra americano. O Dr. Dobson me ensinou a fazer distinção entre o espírito e a vontade de nossos filhos pequenos. A vontade da criança deve ser moldada, mas seu espírito deve ser protegido. Corrigi e disciplinei minhas filhas, mas nunca as espanquei ou descarreguei ira sobre elas.

O grande problema em nossos dias é a inversão de valores. Marguerite e Willard Beecher resumiram bem a questão: “O lar centralizado no adulto do passado fazia dos pais senhores e das crianças, escravos. O lar de hoje centralizado na criança tem feito dos pais escravos e das crianças, senhores”. O equilíbrio está no amor. Quem ama faz sempre o bem a todos e as crianças agradecem.

Antonio Francisco - Cuiabá, 26 de março de 2011 - Voltar para Mensagens.

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