9 de jan de 2011

Seja um próspero investidor

Investimento na Bíblia depende mais do que somos, do que daquilo que temos. Os cristãos da Macedônia, no meio de severa tribulação e extrema pobreza, com alegria transbordaram na generosidade. Deram tudo que podiam e até além. Tiveram a iniciativa de participar da assistência aos pobres da Judeia, mas antes se deram ao Senhor (2Co 8.1-5). Dar é uma virtude cristã e Jesus é nosso maior exemplo.

“Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás. Reparte com sete e ainda com oito, porque não sabes que mal sobrevirá sobre à terra. Estando as nuvens cheias, derramam aguaceiro sobre a terra; caindo a árvore para o sul ou para o norte, no lugar em que cair, aí ficará. Quem somente observa o vento nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará. Assim como tu não sabes qual o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da mulher grávida, assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas. Semeia pela manhã a tua semente e à tarde não repouses a mão, porque não sabes qual prosperará; se esta, se aquela ou se ambas igualmente serão boas” (Ec 11.1-6).

1. Aplique o que você tem para obter o que não tem (v.1). Nos tempos bíblicos, o comércio acontecia em grande parte pela via marítima. Os comerciantes enviavam suas mercadorias por navios, para depois de muitos dias terem o retorno do lucro. Mas esse verso também pode significar lançar a semente em terrenos com água, para se obter depois a colheita. Um bom investidor não teme correr o risco de fazer aplicações, pois essa é a única maneira de obter mais do que aquilo que já tem.

Certamente a generosidade está implícita nesse verso. Dar é uma das maiores expressões de amor que um cristão pode ter. Deus nos amou e nos deu Jesus, e juntamente com ele nos dá todas as coisas (Jo 3.16; Rm 8.32). Muitas vezes não recebemos porque estamos com as mãos ocupadas com o que já devíamos ter dado. É bom sempre lembrar o que recebemos e de quem recebemos, mas, não devemos ficar lembrando-se do que damos, até porque o retorno geralmente não é imediato. Ele vem, com certeza, mas não em seguida.

2. Reparta enquanto tem para receber quando não tiver (v.2). O verso diz que devemos repartir o que temos com muitas pessoas, com quem precisar, indistintamente, pois um dia poderemos não ter, e aqueles que ajudamos hoje, poderão nos socorrer amanhã. Em muitos casos, o reconhecimento só virá na eternidade (Lc 16.9). O generoso prospera e será abençoado (Pv 11.24-25; 22.9). Precisamos crescer na alegria de dar (At 20.35). Tudo o que retemos que poderia ajudar alguém, torna-se um erro grave de nossa parte. Se todos dessem daquilo que lhes sobra, todos estariam satisfeitos.

Repartir não depende de quantidade, mas de fidelidade e generosidade (Lc 16.10; 2Co 8.2). A viúva deu duas pequenas moedas (Mc 12.41-44), um rapaz deu cinco pães de cevada e dois peixinhos (Jo 6.9), Dorcas usou uma agulha para fazer túnicas e vestidos notáveis para as viúvas (At 9.36-43). Sempre temos o que dar, só que nem sempre damos. Investir em pessoas com nossas doações é a melhor e mais duradoura forma de poupar, “porque Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso trabalho e do amor que evidenciastes para com o seu nome, pois servistes e ainda servis aos santos” (Hb 6.10). Isso não justifica a intenção de fazer barganhas com Deus; ele não aceita isso.

3. Considere sempre a lógica da vida (v.3). A fé cristã não ignora a lógica da vida. Uma das grandes mudanças de minha vida cristã foi discernir que o Evangelho de Jesus mostra a vida como ela é, mas, com a possibilidade de mudanças. Muitos cristãos agem sem bom senso e atribuem isso à fé. Mas, a fé não subestima a razão (Rm 10.2; 12.1). Nuvem carregada derrama chuva. Árvore caída morre. Considere sempre a lógica das coisas, pois assim se vive melhor. Quem investe, tem retorno (1Co 15.58); quem não socorre, não será socorrido quando estiver precisando. Quem planta colhe (Gl 6.7). Quem age com prudência, evita muitos males (Pv 19.2). Outra coisa que esse versículo nos mostra, é que a gente nunca sabe como as coisas acontecerão realmente. Então, estejamos preparados para a chuva, para a queda, e para a morte.

4. Seja generoso como as nuvens e as árvores (v.3). As nuvens se desmancham em chuvas que servem ao lavrador, aos animais e aves do campo, e sobretudo a nós humanos. As árvores dão frutos, sombra, madeira, e beneficiam nosso clima e temperatura. Que nenhum de nós seja como nuvens sem água ou como árvores estéreis ou mortas que não dão frutos (Jd 12). Não seguremos as coisas com muita força. Deus nos deu para darmos. Não sejamos como o mar morto que só recebe.

5. Considere sempre as possibilidades remotas (v.3). Devemos ocupar a mente com coisas boas e pensar sempre no melhor. O profeta Jeremias disse: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança” (Lm 3.21). Mas, se queremos ser realistas, não podemos deixar de levar em conta que, coisas desagradáveis podem acontecer também comigo e com você. A Bíblia diz que devemos ficar preparados para o dia mau (Ef 6.13). Nunca se sabe quais nuvens trarão tempestades. Por isso, é bom se preparar sempre. A árvore que nos oferece frutos, um dia pode cair.

6. Corra riscos com vistas na colheita (v.4). O ditado popular nos ensina dizendo: “Quem não arrisca, não petisca”. Nunca tudo estará sempre favorável. Há sempre algo indefinido, defeituoso, inseguro, duvidoso, arriscado, incompleto, e assim por diante. Se ficarmos esperando para termos certeza que tudo vai funcionar, nunca faremos nada. Se o lavrador ficar apenas observando o vento e as nuvens, nunca plantará e consequentemente nunca colherá. Corra riscos responsáveis se quiser ir mais longe.

7. Suas limitações requerem que você viva pela fé (v.5). O justo vive por fé (Rm 1.17). Não sabemos de tudo sobre tudo, nem se espera que assim seja. Mas, exatamente por isso, devemos depender ainda mais de Deus, pois não sabemos como ele vai agir em determinada situação. Investir, arriscar, e sermos lógicos, deve juntar-se à fé em Jesus. Até porque sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11.6). Pouco adianta aplicar, repartir, ponderar, e correr riscos, se a confiança em Deus não estiver em primeiro lugar.

8. Invista sempre e nunca fique à toa (v.6). Acho interessante que essa passagem bíblica que estamos considerando, manda aplicar, investir e repartir, mas diz também que não devemos deixar de produzir. Uma das falhas da Igreja Primitiva foi o consumo sem produção. É lindo e saudável ler que eles repartiam o que tinham, mas lemos também que alguns não queriam trabalhar e lemos Paulo pedindo ajuda para os cristãos pobres da Judeia. Sem produzir, não há como repartir. Nada de omissão ou acomodação, mas sim produção. Como não temos garantia de que o que plantamos frutificará, devemos plantar sempre e cada vez mais. Aqui também encontramos o princípio da mordomia do tempo. Que Deus nos ajude a sermos prósperos investidores.

Antonio Francisco - Cuiabá, 9 de janeiro de 2011 - Voltar para Um novo caminho.

2 comentários:

Devemos ter em mente, que tudo o que tivermos é pra abençoar alguém incluindo nossas vidas.
Que Deus prolongue os seus dias aqui conosco.