2 de nov de 2010

Quem somos - Nosso jeito de ser


Somos a COMUNIDADE DO CAMINHO - uma comunidade itinerante no chão desta vida. Entre nós o vai-e-vem é natural com gente que vem e quer ficar e com gente que vem e não quer mais voltar. Tem gente que só quer observar, sondar e curtir um pouco do que temos, mas não quer criar vínculos. Não tem problema, amamos a todos e não apenas quem anda com a gente. Não somos um clube com membros associados, mas caminhantes livres que andam com Jesus - o caminho, a verdade, e a vida.

A história nos lembra que durante três séculos a Igreja conseguiu se manter informal vivendo conforme os evangelhos arraigada na palavra de Deus, o que ocasionou muitas perseguições aos cristãos. Mas, em 312 d.C o imperador Constantino cristianizou o Império Romano fazendo com que os próximos mil anos fossem chamados de Idade das Trevas por causa do paganismo. Depois disso veio a Reforma Protestante com mudanças paliativas e dietas católicas. Surgiram avivamentos e movimentos missionários, mas nada que se comparasse com o início da Igreja. A deformidade espiritual continua hoje enquanto são inventados modismos evangélicos.

Começamos a Comunidade do Caminho no dia dois de novembro de 2010 num encontro que contou com dezesseis pessoas no Parque Mãe Bonifácia em Cuiabá numa agradável manhã dominical de cânticos, orações, leitura bíblica, comidas, e lazer. Esclarecimentos foram dados sobre nossa caminhada e todos concordamos de seguir juntos pela fé no chão desta vida. Não lavramos ata, não pedimos documentos de identificação de ninguém nem voto de fidelidade porque a convivência na Comunidade do Caminho é uma questão de livre consciência.

A Comunidade do Caminho é feita de gente como você, quase sem problemas, com problemas, com muitos problemas, atolada em problemas, gente-problema, e gente solucionadora de problemas. Somos sal, luz, fermento, e semente que se torna árvore para acolher a todos. Em nossa caminhada com Jesus procuramos nos ajudar mutuamente evitando julgamentos. Estamos aprendendo a abrir o coração uns com os outros sem medo de rejeição. Ninguém precisa temer ser o que é, mesmo quando pisa na bola, pois sabemos que o exercício da fé revela as dimensões do caminho cada dia, de modo que o caminho é conhecido à medida que exercitamos a fé é como um músculo, sabendo que "sem fé é impossível agradar a Deus".

Andamos em Jesus com liberdade sem sujeição a ninguém ao mesmo tempo em que somos servos uns dos outros pelo amor. Não nos frustramos com metas porque não lidamos com estratégias geradoras de culpa. Pelo contrário, vivemos pela fé e não  de desempenho, porque não temos que chegar a algum lugar nem provar nada para ninguém, apenas caminhamos até que cheguemos ao lugar eterno. Não andamos ansiosos por nada, apenas buscamos em primeiro lugar o reino de Deus na confiança de que o Senhor cuida de nós. Evitamos questionar a vida por entender que as interrupções, frustrações, decepções, e todas as contrariedades possíveis fazem parte da vida tal qual as coisas boas e agradáveis. Não temos o que perguntar quando aceitamos a vida como a resposta de Deus para o cotidiano.

Entendemos que a graça de Deus qualifica nossa vida, nos capacitando a oferecer de graça o que temos recebido de graça. A vivência na graça só acontece nos relacionamentos verdadeiros e abertos onde a reciprocidade se manifesta sem melindres, porque onde há amor, o conhecimento não gera orgulho. Andamos em paz com Deus, com o nosso ser e com o nosso próximo; isso nos faz dormir bem e andar de cabeça erguida, sabendo que nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus e que nada pode nos separar do amor de Deus em Cristo, nosso Senhor, que tudo consumou, acabando com nossa dívida para com Deus paga na cruz por Jesus, e sua ressurreição que nos justifica.

Ninguém decide nada por nós e não decidimos nada por ninguém, uma vez que cada um dará contas de si mesmo a Deus. Andamos felizes e sem o sentimento de condenação por fazer o que fazemos e aprovamos conforme nossa consciência submissa ao Evangelho, levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo. A nossa liberdade é vivida na diversidade, pois sabemos das diferenças, ao mesmo tempo em que uma unidade indivisível nos mantém. Não confundimos o caminho vivo em Cristo com o caminho fixo e pedrado da religião com listas de dogmas e doutrinas; nos fixamos em Jesus, Autor e Consumador da fé. Saber que todas as coisas nos são lícitas, mas que nem todas convêm, nos torna seletivos e prudentes para não sermos dominados por nada, ao mesmo tempo que não esquecemos que todas as coisas são puras para os puros, o que nos torna abertos para a vida sem alienação.

O dinheiro é nosso servo, nunca o nosso senhor, pois "ninguém pode servir a dois senhores". Usamos o dinheiro para beneficiar a quem dele precisa, e não para nos ocupar dele egoisticamente, porque preferimos fazer tesouros no céu do que acumular tesouros na terra, o que não combina com o espírito cristão diante das necessidades que são sempre maiores que os recursos disponíveis. Dar, sempre possibilita que todos tenham o necessário e todos fiquem felizes dando ou recebendo, vivendo um dia de cada vez sem ficar preso ao ontem nem preocupados com o amanhã, porque isso não condiz com quem anda com Jesus, que disse: “basta ao dia o seu próprio mal”. Todo dia é dia de recomeçar, sem que nenhum dia tenha de continuar no dia seguinte, como Jesus que nos ensinou a orar pelo "pão nosso de cada dia".

Vivemos uma metamorfose ambulante sem medo de mudar na caminhada, pois a vida é o nosso casulo de permanentes transformações como uma criança em crescimento, que brinca, e aprende sempre. Por isso também, cada um faz o que gosta sem medo de ser feliz, esperando em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento. Acreditar em dias melhores melhora o melhor que somos e temos em todos os sentidos. Essa mudança permanente e crescente na caminhada faz da vida uma devoção em Jesus sem busca de novos caminhos ou trilhas, porque Jesus nos basta. Nele, estamos aperfeiçoados; nele, não existe monotonia, porque enquanto andamos com ele andamos em novidade de vida.

A Comunidade do Caminho é comprometida com o Evangelho de Jesus e não com o perfil histórico do cristianismo. Não somos um templo ou um grupo de imaculados, pelo contrário, só temos pecadores entre nós, dependentes da graça de Deus e do poder do Espírito Santo, cientes que Jesus não veio chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento. Como no princípio da Igreja, somos um movimento, não um monumento; somos uma expressão do Reino de Deus que vê a vida como um todo, não diferenciando sagrado de secular. Por isso, cada pessoa é consciente quanto à natureza da fé em Jesus, é comprometida em “ser”, antes de “fazer” alguma coisa para Deus. Cada um é chamado a assumir o que é – sal que se imiscui na massa da sociedade para fazer diferença, e ser semente que morre para ser árvore acolhedora. Mesmo assim, quem não é o que deve ser, ainda pode ser o que Deus deseja, se quiser ser, porque Jesus veio buscar e salvar o perdido. O primeiro interessado em nossa mudança para melhor é Deus. Ele nos amou primeiro, por isso também podemos amá-lo.

Antonio Francisco - Cuiabá, 2 de novembro de 2010 - Facebook da Comunidade do Caminho.

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